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A mulher que eu sou

  • Foto do escritor: Manu Ferracciu
    Manu Ferracciu
  • 3 de jul. de 2023
  • 2 min de leitura


Eu sou uma mulher que é mãe. E ser mãe não me realiza como mulher, mas me faz enxergar a mulher que realmente sou. Ser mãe não me deu tudo de precioso, mas faz com que eu construa diariamente preciosidades para o mundo. Ser mãe não me tornou mais recatada e do lar, mas escancarou o quanto preciso lutar para ter lugar no mundo - e se preciso é também porque devo.


A maternidade é um lugar permeado pelo interesse político e socioeconômico de que mulheres se ocupem tanto de cuidar dos filhos que se percam de si mesmas e de que sejam apequenadas na sua rotina e nos seus erros para com os filhos. Que sejam separadas do fazer no mundo, das potências que fazem com que o mundo seja melhor e maior. Que se sintam deslocadas de espaços relacionados ao poder, que se afoguem nas dores e nas mágoas das mulheres que precisam ser menos para serem mães, porque são mães.


Não se engane, há interesse por trás deste afogamento nas dores de maternar, deste apagamento da mulher que é mãe. E mais do que revolucionário, é subversivo permitir que a maternidade seja um portal para a mulher que você verdadeiramente é; que nasça junto a ela suas mais inimagináveis forças. É redestribuidor de poder se apropriar da sua maternidade e se orgulhar até mesmo de seus erros, porque é se independer de um mercado ancestral que cresce em cima dos seus medos, das suas limitações e das suas inseguranças.


E eu estou aqui porque eu acredito que nós devemos se olhar através das lentes da maternidade - e de tudo que elas nos trouxe e nos tirou - para aprender de fato quem somos. Devemos ouvir os gritos e os silêncios que ressoam em nós (e antes de nós!) para que daí possamos entender e ir para onde queremos ir. Pois é na aprendizagem sobre nós mesmas e nossas potências que a gente pode escolher como se realizar no mundo de forma que ninguém mais é capaz de tirar isto de nós.

 
 
 

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© 2023 por Manu Ferracciu Psicóloga Materna

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